Reinold Baudisch, Meu Papai, Meu Herói e Professor dos Pescadores Brasileiros

Depois de quase 2 meses de luta com seu coração, meu papai e meu herói, o professor de milhões de brasileiros, Reinold Baudisch, não resistiu e partiu.

Os primeiros 16 anos da minha vida, eu vivi, sem exceção, praticamente 24 horas, todos os dias, ao lado do meu pai. Pescávamos de 2 a 4 vezes por semana (ele até me incentivava a faltar aulas, pois falava que eu daria conta depois, e ainda falava: “eu que pago sua escola, eu que mando quando você falta ou não, rsrs”). Eu o seguia no trabalho, nas tarefas do dia a dia, no seu descanso, nas suas atividades. Eu era literalmente, colado a ele.

Na vida adulta, não pude mais permanecer colado a ele, pois naturalmente tive que seguir com minhas atividades, mas obviamente a amizade, o amor e a parceria continuaram. Não importasse o dia ou o momento, pensar em meu papai acalmava meu coração. Meu porto seguro, minha fonte de inspiração, de conselhos e de lições. Eu tinha o privilégio de tê-lo acessível a qualquer momento. Não importava o que ele estivesse fazendo, se eu, o seu “Pardall”, o chamasse, ele dava atenção exclusiva.

Ele era apoiador e aconselhador em qualquer ideia, maluca ou não, que eu inventasse. Ele era a base de apoio, de investimentos financeiros iniciais, de credibilidade, de aconselhamento e endossamento. Ele abria portas, e colocava a mão no fogo por mim — quantas portas ele abriu, e quantas vezes eu quase manchei a credibilidade dele, pois eu não dava conta do recado. E lá ia ele de novo, e inventava alguma ideia, apenas para querer me ajudar a seguir em frente.

- Eu: Pai… isso ou aquilo.
- Pai: não precisa nem explicar Pardall, pode fazer que o pai vai te ajudar.
- Eu: Mas, pai […].
- [interrompendo] Pai: não precisa se explicar Pardall, já falei que o pai tá aqui pra qualquer coisa que você precisar. Só quero ver você feliz.

Eu sou programador e marido, graças a ele. Graças a ele, posso trabalhar em qualquer lugar do mundo num piscar de olhos. Como? Quando eu tinha 8 anos, ele ainda era “O Alemão da Peskito”, e eu pedi um computador. Se endividando todo, ele comprou um computador. Ao mesmo tempo, deixou eu trabalhar na Peskito, mesmo eu tendo apenas 8 anos.

Isso iniciou toda a cadeia de interdependência com o que sou hoje: (1) sem qualquer obrigação, mas tendo a experiência de pesca que aprendi com ele, passei a trabalhar. Sim, aos 8 anos eu já sabia dar nós, usar carretilha e trabalhar todo tipo de isca artificial! Passei a entender o valor da responsabilidade e do dinheiro. (2) passei a ter um computador em casa, para explorar as possibilidades como programador. Com o dinheiro do meu trabalho (que por sinal, papai com seu coração gigantesco, deixou eu ter uma comissão absurda), comprei livros. Graças a isso, aos 11 anos, eu já sabia programar e ao mesmo tempo, tinha vontade de trabalhar e crescer mais e mais.

Mesmo sendo uma criança, aos 12 anos ele passou a indicar seus clientes para mim, era o início da internet em Curitiba. Ele tinha muitos contatos na Peskito, e depois, no Jornal Pesca Dinâmica, no Curso Pesca Dinâmica, no Pesca Dinâmica na TV e no Construção Dinâmica na TV.

Aos 16 anos, eu já tinha terminado centenas de projetos web (websites), tinha milhares de horas de experiência como programador, e já tinha experiência profissional — tudo porque ele indicava seus clientes — eu nunca precisei vender, ele vendia para mim (fechava o pacotão Reinold, que incluía mídia nos programas, no jornal, e um site, feito por mim). E isso volta ao começo da história, “graças a ele, posso trabalhar em qualquer lugar do mundo num piscar de olhos”. Se não fossem suas centenas de indicações e seu infinito apoio, eu não teria a plataforma para tão precocemente ter virado um profissional.

Mas, não apenas isso, nesses meus 32 anos de vida, tentei inúmeras empresas e projetos, e ele sempre colocou a mão no fogo por mim. A cada novo projeto, ele ajudava a gravar um comercial, publicava em seus programas e recomendava a todos.

A seguir vou contar uma história muito pessoal e de amor incondicional de pai e filho: quando eu tinha 18 anos, devido a tantas indicações dele, com o Pesca Dinâmica no auge, eu tinha uma empresa de desenvolvimento que estava faturando alto. Mas, pouca idade, imaturidade e primeiro amor não correspondidos me levaram a depressão. A empresa junto de um escritório gerando dívidas ficaram abandonados por meses, comigo em casa, em depressão.

Tal minha surpresa, que ele me chama no quarto: “Pardall, dá uma olhada o que tem lá fora”. Era um caminhão de mudança. “Não entendi, pai.”. O caminhão estava pronto para irmos ao escritório, desmontar tudo. Ele foi junto, desmontou os móveis comigo, limpou tudo. E falou: “vou comprar todos esses móveis de você, e ao mesmo tempo você pode ficar com eles de volta”. Ao mesmo tempo, foi na cia de energia, na imobiliária, etc e finalizou todas as pendências. Fomos almoçar, sem julgamentos, apenas papo carinhoso de pai e filho, e me perguntou:

“Sempre te falei que o pai sempre vai estar aqui pra você. Agora não se preocupe com nada e recomece sua vida, que eu vou te ajudar. O que você quer fazer?”.

A partir dali, tomei a decisão que trabalharia com ele, com edição do Pesca Dinâmica. Pelos próximos anos, eu seria seu editor.

Algum tempo depois, quando casei, ainda era seu editor. Ele foi o responsável por eu conseguir construir uma casa. E lá vem outra que ninguém sabe: para eu ter mais um trabalho, e poder seguir meu caminho com a minha esposa, a Débora, ele criou um novo programa de televisão, o Construção Dinâmica na TV. A sua proposta era que ele apresentaria e venderia, e eu seria o cinegrafista, diretor e editor. Topei.

Só que meu herói não conseguia ficar parado. Mesmo com o Pesca Dinâmica e Construção Dinâmica na TV caminhando, ele resolveu me indicar como programador para uma agência de turismo. Essa nova indicação me fez iniciar uma nova vida de possibilidades como desenvolvedor de aplicativos para celular, e acabei não mais trabalhando com ele.

O Construção seguiu até 2015, com quase 500 episódios. O Curso Pesca Dinâmica em vídeo, em livro e presencialmente seguiu por mais de 25 anos. O Pesca Dinâmica na TV, você já sabe, milhares de episódios por mais de 20 anos. E eu, um novo mundo de possibilidades, peguei a era de ouro dos aplicativos. Hoje, moro na Dinamarca — e tudo graças a ele, direta e indiretamente.

Meu super herói, meu amor, meu único amigo de infância, meu único amigo homem na vida adulta. Pensar em você acalma meu coração, acalma minha mente.

Eu aprendi tanto, em todos os sentidos da vida, até mesmo a como fazer xixi (vocês não sabem, mas ele me ensinou que homem tem também que se limpar quando faz xixi, não só mulher hahahah, ele era um alemão muito higiênico), a como dirigir, a como ser um marido, a como ter respeito pelo espaço dos outros, pela natureza, a como ser apresentador, vendedor, empresário, a como ser um pescador — a lista é infinita.

Eu sei o quanto milhões de pessoas aprenderam com ele pelo Pesca Dinâmica, mas conseguem imaginar como é ter tido a possibilidade de pescar com ele milhares de vezes, em pessoa?

Onde quer que eu chegue, todos sabem o carinho que tenho por você, meu herói, meu ídolo. Eu nunca tive vergonha de você, muito pelo contrário, em poucos minutos, não importa a pessoa ou local, todos já sabem quem era meu alemão, meu papai. Em qualquer lugar, em qualquer idade que eu tivesse, eu o abraçava e beijava.

Beije e abrace seu pai e sua mãe. Tire fotos, grave vídeos. Você nunca sabe quando pode ser a última vez. Vá pescar, vá em churrascarias e restaurantes, assistam filmes e séries juntos. Fiquem à toa no sofá. Conversem ou apenas fiquem em silêncio. Você nunca sabe quando será a última. Mas, acima de tudo, não tenha pendências. Tenho a felicidade de ter contado a ele o quanto ele foi importante para mim, o quanto sou grato. Tudo isso que relatei aqui não foi em vão. Ele sabia de tudo isso, e muito mais.

Felizmente eu ligava para ele constantemente daqui da Dinamarca, ele sabia de todas as novidades e estava muito feliz pela minha vida dinamarquesa. “Que bom que você está se dando bem, Pardall. Para mim, é isso que importa, que meus filhos sejam felizes”.

Tudo que escrevi não é nem o começo. Eu tenho muito mais, muito, mas muito mais histórias e experiências. Ele me levou aos confins do Brasil. Fizemos tantas coisas, mas tantas mesmo. Um relacionamento, que do meu lado, chega a obsessão de tanto amar esse meu pai. Ele até brincava: “desgruda um pouco de mim cara, não é saudável isso” hahaha, mas no fundo você via aqueles olhos lacrimejando de amor. “Não tá passando fome né cara??? O pai tá aqui, sempre vai ter trabalho pra você. E se não quiser trabalhar, o pai tá aqui pra sempre te ajudar e te sustentar, mesmo que você tenha 50 anos, Pardall”. Como é possível existir alguém tão amoroso, professor e altruísta assim?

As pescarias com meu papai me tornaram a pessoa que sou hoje. Durante as pescarias, Reinold transmitia para mim todos os seus valores e inúmeras lições em todos os aspectos da vida. Recebi muitos valores transmitidos de pai para filho, e tenho memórias incontáveis de carinho, respeito, integridade, experiências em lugares únicos e claro, muita, mas muita diversão — ele me fazia rir a todo instante. Como ele dizia:

Pais e filhos que pescam juntos, permanecem juntos. Pesque e solte hoje, para que seus filhos e netos possam pescar amanhã.

Papai, te amo, eternamente. Obrigado por tudo. Obrigado pelo privilégio de ter vivido 32 anos ao seu lado.

Reinold Baudisch, meu papai, como você dizia por áudios no WhatsApp: “Te amoooooooooooooooooooooooooooooo”.

Vai prá vida, você É O BICHO, cara!

Autistic Savant software engineer with 25 years of development experience. By night, a game developer and artist.

Autistic Savant software engineer with 25 years of development experience. By night, a game developer and artist.